Terminei
de ler o livro “o lado bom da vida”. Não assisti ao filme, então não sei se é
fiel ao livro. Mas andei lendo algumas resenhas e críticas, e deu para ver que
o filme é um pouco diferente do livro.
Então,
vamos lá...
Eu
poderia resumir o livro e falar o que eu penso sobre ele, mas eu vou falar
sobre o personagem principal, Pat Peoples. Costumamos nos identificar com as
mocinhas dos romances. Eu me identifiquei com Pat. Confesso que no começo do
livro ele me irritava com a história de Nikki pra lá, e Nikki pra cá – depois
eu explico quem é Nikki – e só me empolguei em continuar a ler o livro após o
capitulo no qual Pat reencontra Tiffany, e me certificar que ela é a personagem
da Jennifer Lawrence.
Bem,
Pat é um cara que acaba se sair de um sanatório (acho essa palavra feia, mas é
a que me vem no momento), que ele chama de lugar ruim. Ele não tem noção de
quanto tempo ele ficou lá, mas sai determinado a ser uma pessoa melhor para
reconquistar sua mulher Nikki!
Eu
meio que saquei que ele não voltaria com a Nikki, mas também não botei fé que
ele ficaria com a Tiffany. Bem a Tiffany é cunhada de seu amigo Ronnie, e ela
também é doidinha, depressiva, tem que fazer terapia, e por ai vai, assim como
Pat. Só que ela desenvolveu esse quadro depressivo após a morte de seu marido.
Juro, o final, aquele típico final, onde os mistérios da história são desvendados é
surpreendente.
Mas
voltando ao Pat. Ele perde a casa, o emprego, a esposa, vai para o “lugar ruim”
e tudo o que ele quer é ser uma pessoa melhor para agradar a esposa. Nossa!
Quem que queria ser uma pessoa melhor? Vide meus primeiros posts! Mas é só até
ai que eu me identifico com ele. Mesmo porque, o caso dele é bem pior que o
meu. O cara surtou. Pirou. E perdeu totalmente a noção da realidade. Eu também
perdi algo que tinha muito valor para mim, e isso fez com que eu acordasse para
vida e visse que se eu não buscasse ser uma pessoa melhor, eu nunca seria
feliz. Mas manter-me na minha realidade fez com que esse processo fosse mais
suave, menos doloroso. E ao contrário do Pat, sem essa obsessão de que eu tenho
que ter de volta aquilo que eu perdi. É claro que todos os dias eu desejo não
ter perdido, eu desejo ter de volta, mas se não tiver, já sei o que fazer para
não perder mais nada na minha vida. Bom, pelo menos para perder o menos
possível.
Durante
o livro todo, Pat mostra uma devoção e uma obsessão pela esposa Nikki, e mesmo
no final, ele recuperando a memória, e lembrando do motivo que fez com que ele
fosse parar no lugar ruim, ele deseja que ela seja feliz. Ele chegou ao seu
objetivo, ser uma pessoa melhor. Explicando... No final, o livro revela que o
casamento de Pat e Nikki estava morno, e certo dia, ele chega em casa e
encontra a esposa com o amante. Em um ataque de fúria, ele quase mata o amante
de Nikki. No final, Nikki está divorciada de Pat, e casada com o amante. Até
com filhos do segundo marido ela já tem.
Mas
essa revelação vem só no final, então você pode imaginar você ler a história de
um cara que parou a vida dele e vive em função da Nikki. Eu fico imaginando, se
a história fosse real, que saco seria a vida das pessoas que convivem com o
Pat, tendo que aguentar ele com esse “mimimi” com a esposa, mesmo sabendo que
ela quem traiu ele, ela seguiu a vida dele sem olhar para trás e sem se
preocupar com Pat.
Mas
onde entra Tiffany nessa história? Bem, ela faz Pat acreditar que ela tem o
contato da Nikki, e que ela pode ser o elo entre eles, secretamente, uma vez
que existe uma ordem judicial proibindo que um se aproxime do outro. Mas para
que Tiffany seja esse elo, ela exige que Pat seja o par dela em um concurso de
dança. No final da apresentação, Tiffany revela pra ele que na verdade, era só
um espetáculo de dança, que não era um concurso, e ela só falou sobre o premio
para que incentivasse-o a dar o melhor de si, e se superar. Tiffany passa a ser o contato entre os dois.
Eles se comunicam através de cartas. Mas logo Tiffany revela que Pat nunca se
comunicou com Nikki, e quem escrevia as cartas era a própria Nikki. Mas ela se
certifica antes que Nikki já havia se divorciado, casado com outra pessoa, e
até descobre sobre a traição. Nesse momento, pensamos, no quão maquiavélica
Tiffany foi, se aproveitando do problema de Pat, para pregar uma peça dessas
nele... mas não, Tiffany fez isso porque ela foi a única que tomou a atitude de
trazer Pat de volta a realidade. Nesse momento, Tiffany se declara a Pat.
O
que me encantou na história de Pat, é que ele se manteve fiel ao propósito de
ser uma pessoa melhor, “ser gentil, em vez de ter a razão”. É claro que em
alguns momentos ele falha. Poxa, todos nós falhamos. E quando ele falha, ele se
sente mal por isso. Pat, passa a ler os livros que Nikki, uma professora de
literatura dá aos seus alunos, para que ele se deixe de ser um “ignorante”
literário, e seja um cara melhor, ao nível dela. Mas ele não se conforma,
porque todos os livros têm um final trágico, e ele é um cara que está buscando
ver o lado bom das coisas. Nisso eu concordo com ele. Acredito que ler coisas
pessimistas, faz com que você deixe de acreditar um pouco que coisas boas podem
acontecer. Mas concordo também que a vida é dura. Nem tudo é arco-íris, muito
pelo contrario, boa parte da vida é tempestade. Ele busca o final feliz do
filme da vida dele.
E
ele realmente chega ao final feliz dele. Não o final feliz que ele planejou,
mas sim o final feliz que realmente faria ele feliz. E sabemos que faria ele
feliz, porque Tiffany e a única pessoa que entende ele completamente. E quantas
vezes deixamos de ter nosso final feliz de verdade porque acreditamos que o
final feliz que idealizamos é o nosso final feliz?
Depois
de terminar o livro, e ver que ele fica com Tiffany no final, pensei: se o Pat
tivesse acordado antes para vida, desencanasse da Nikki, o final feliz dele
chegaria antes. Mas Pat precisava se agarrar a um bom motivo para se tornar uma
pessoa melhor. Esse motivo era Nikki. E deu certo. Então, concordo plenamente
com Pat. Devemos buscar ser uma pessoa melhor. Não importa o motivo que nos
empurre para frente nessa caminhada. E será uma longa caminhada. Iremos cometer
deslizes, assim como Pat. Nunca seremos perfeitos (Graças à Deus), e cada dia,
veremos que podemos ser melhores do que fomos no dia anterior.


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